Pesquisa internacional aponta novo uso para medicamento já aprovado
Um medicamento antipsicótico amplamente utilizado na prática clínica pode representar um novo caminho terapêutico contra o câncer de mama triplo-negativo, uma das formas mais agressivas e difíceis de tratar da doença. Pesquisadores do Reino Unido e da Espanha identificaram que a pimozida foi capaz de reduzir significativamente o crescimento tumoral e quase eliminar a formação de metástases pulmonares em modelos experimentais, reacendendo o interesse científico no reaproveitamento de fármacos já aprovados para uso oncológico.
Estudo liderado por pesquisadores do Reino Unido e da Espanha
A pesquisa foi conduzida por Mohamed El-Tanani, professor de patologia molecular e terapêutica do câncer da University of Bradford, em colaboração com cientistas da Queen’s University Belfast e da University of Salamanca.
Os resultados foram publicados na revista científica Oncotarget.
Câncer de mama triplo-negativo e limitações terapêuticas
O câncer de mama triplo-negativo é caracterizado pela ausência dos receptores hormonais e do HER2, o que reduz drasticamente as opções de terapias direcionadas. Esse subtipo apresenta maior risco de recorrência e taxas de sobrevida inferiores quando comparado a outras formas da doença.
Resultados expressivos em modelos experimentais
Nos testes com camundongos portadores de xenoenxertos de câncer de mama humano, a pimozida promoveu:
- Redução de até 65% no volume tumoral
- Queda de 94% na formação de metástases pulmonares
Análises imuno-histoquímicas mostraram ausência quase completa de proteínas associadas à progressão tumoral nos animais tratados.
Efeitos observados em células tumorais humanas
Em linhagens celulares de câncer de mama invasivo e câncer de pulmão, o medicamento reduziu significativamente a sobrevivência das células cancerígenas, induziu danos ao DNA e promoveu apoptose. Também houve diminuição marcante da capacidade migratória e invasiva dessas células.
Mecanismos moleculares envolvidos na ação anticâncer
O estudo identificou que a pimozida atua como inibidora da proteína Ran-GTPase, envolvida em processos essenciais para o crescimento e disseminação tumoral.
Inibição de vias críticas para o crescimento do tumor
A supressão de Ran resultou em:
- Inibição quase completa da via de sinalização AKT
- Redução significativa da expressão de VEGFR2
- Bloqueio de marcadores associados à transição epitelial-mesenquimal
Essas vias desempenham papel central na proliferação celular, angiogênese e metástase.
Ação antiangiogênica e antimetastática
Além de frear o crescimento tumoral, a pimozida mostrou efeito direto sobre a formação de novos vasos sanguíneos. O medicamento impediu a diferenciação de miofibroblastos associados à progressão do câncer e reduziu a vascularização dos tumores em modelos animais, contribuindo para a menor disseminação da doença.
Possibilidade de avanço rápido para ensaios clínicos
Segundo o professor El-Tanani, o fato de a pimozida já ser um fármaco aprovado e utilizado clinicamente pode facilitar sua transição para estudos clínicos em oncologia. A equipe busca agora financiamento para iniciar ensaios em pacientes com câncer de mama triplo-negativo.
Os dados reforçam o potencial da pimozida como agente anticâncer multifuncional, atuando simultaneamente sobre proliferação celular, angiogênese e metástase. Embora os resultados ainda sejam pré-clínicos, o estudo oferece bases sólidas para futuras avaliações clínicas e destaca o reposicionamento de medicamentos como estratégia promissora no tratamento do câncer.
Com informações de Genetic Engineering & Biotechnology News — https://www.genengnews.com/news/antipsychotic-drug-blocks-triple-negative-breast-cancer-growth/
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