Alterações hormonais em idosos: panorama da nova declaração da Endocrine Society

Documento científico revisa evidências atuais sobre envelhecimento endócrino

O envelhecimento populacional tem ampliado o interesse científico sobre como as mudanças hormonais impactam a saúde dos idosos. Em agosto, a Endocrine Society publicou uma declaração científica no periódico Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, reunindo evidências atualizadas sobre os principais eixos hormonais e condições metabólicas associadas à idade. O objetivo é orientar pesquisas futuras e apoiar decisões clínicas relacionadas às doenças endócrinas associadas ao envelhecimento.

Eixo do hormônio do crescimento e envelhecimento

A secreção do hormônio do crescimento (GH) diminui progressivamente com a idade. No entanto, não existem tratamentos aprovados para reverter esse declínio fisiológico. O uso do hormônio do crescimento humano recombinante permanece restrito a indicações específicas, como deficiência comprovada em adultos ou caquexia associada ao HIV.

As evidências atuais não sustentam o uso do GH como estratégia antienvelhecimento. Estudos apontam que, em idosos não selecionados, os riscos superam os possíveis benefícios, reforçando a necessidade de cautela.

Alterações no eixo adrenal

As glândulas suprarrenais produzem hormônios essenciais, como cortisol, aldosterona e precursores androgênicos. Com o envelhecimento, observa-se um achatamento do ritmo circadiano do cortisol e antecipação do pico matinal.

Antagonistas da aldosterona são utilizados no tratamento do hiperaldosteronismo e da hipertensão, enquanto outras terapias ainda carecem de estudos robustos em idosos. A suplementação sistêmica de DHEA não demonstrou benefícios clínicos consistentes, embora o uso intravaginal tenha mostrado melhora de sintomas geniturinários em mulheres na pós-menopausa.

Envelhecimento ovariano e menopausa

O envelhecimento ovariano está associado a piora do perfil lipídico, aumento do risco cardiovascular, redistribuição da gordura corporal e perda acelerada da densidade óssea. Alterações no sono, humor e cognição também são descritas.

A terapia hormonal pode ser eficaz no controle dos sintomas da menopausa quando bem indicada. O documento destaca maior segurança quando iniciada até 10 anos após a menopausa ou antes dos 60 anos, sempre com avaliação individualizada de riscos e benefícios.

Eixo testicular e testosterona no idoso

Nos homens, alterações na espermatogênese e na produção de testosterona estão mais relacionadas a comorbidades do que ao envelhecimento isolado. A declaração alerta para limitações dos imunoensaios tradicionais e recomenda métodos mais precisos, como a espectrometria de massa.

O tratamento com testosterona mostrou benefícios modestos e transitórios, principalmente na função sexual, sem evidências consistentes de melhora em vitalidade, cognição ou desempenho físico. A segurança cardiovascular ainda está em avaliação.

Função tireoidiana no envelhecimento

O hipotireoidismo subclínico é frequente em idosos e, na maioria dos casos, não está associado a aumento de eventos adversos relevantes. Valores discretamente elevados de TSH tendem a se normalizar espontaneamente e não justificam tratamento rotineiro.

Por outro lado, os critérios para tratamento do hipertireoidismo subclínico ainda não estão bem definidos, evidenciando lacunas no conhecimento atual.

Osteoporose e risco de fraturas

Fraturas relacionadas à osteoporose são uma das principais causas de morbidade em idosos. Alimentação adequada, atividade física regular e terapias farmacológicas são pilares da prevenção.

Os bisfosfonatos reduzem significativamente o risco de fraturas vertebrais e de quadril, com perfil de segurança favorável. Em pacientes de alto risco, alternativas como o denosumabe podem ser consideradas, sempre com monitoramento contínuo.

Vitamina D e envelhecimento

A vitamina D atua como hormônio esteroide, influenciando o metabolismo ósseo e funções imunológicas. A suplementação associada ao cálcio reduz o risco de fraturas em grupos específicos, como idosos institucionalizados.

Entretanto, não há evidências de benefício em indivíduos com níveis adequados, nem efeitos consistentes sobre mortalidade, cognição ou prevenção de doenças cardiovasculares e câncer.

Diabetes tipo 2 e equilíbrio hídrico

A prevalência do diabetes tipo 2 aumenta significativamente com a idade. O manejo deve ser individualizado, considerando comorbidades, risco de hipoglicemia e preservação da qualidade de vida.

Alterações no eixo hipotálamo-hipofisário-renal comprometem o equilíbrio hídrico em idosos, aumentando o risco de quedas, fraturas, hospitalizações e mortalidade, especialmente em casos de hiponatremia.

Implicações clínicas e científicas

O documento reforça que grande parte do conhecimento sobre hormônios e envelhecimento ainda se baseia em estudos observacionais. Apesar do apelo de terapias hormonais com finalidade antienvelhecimento, as evidências atuais não sustentam seu uso indiscriminado.

A Endocrine Society destaca a necessidade de pesquisas mais robustas, métodos laboratoriais mais precisos e uma abordagem clínica individualizada, priorizando segurança e benefício real para a população idosa.

 Com informações de Medscape em Português — https://portugues.medscape.com/verartigo/6510056

 

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Eloiza M8K

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